Master of Simplicity Magazine #3 Maio 2017 - Page 58

MASTER OF SIMPLICITY: Fale um pouco da relação da fotografia com a sua vida pessoal e profissional?

VICTOR DE MORAIS GOMES: Desde criança sempre me interessei muito pelas artes em geral, em especial a música e fotografia. A busca pelo aprendizado nestas áreas foi algo natural e contínuo. O interesse em fotografia, especificamente, intensificou-se há 12 anos com o nascimento do meu primeiro filho. Decidi estudar e aprender fotografia analógica com a aquisição de minha primeira mono-reflex e foram inúmeras experiências com meu pequeno. Mais ou menos nesta época me formei em Odontologia e comecei a trabalhar como dentista aumentando meu interesse em fotografia macro. Meu interesse na arte crescia e o desejo de comprar mais equipamentos e sofisticar as fotografias aumentava na mesma proporção, ao passo que a rotina diária de trabalho como dentista e as responsabilidades como pai limitavam meu tempo para sair para fotografar e a possibilidade de adquirir equipamentos. Esta aparente incompatibilidade inicialmente trouxe um certo desânimo por não conseguir desenvolver técnicas mais apuradas. Mas dessa “limitação” veio um novo olhar. Quando comecei a me interessar por artigos sobre minimalismo, vida simples, entre outros, percebi que o olhar da fotografia também poderia e deveria passar por essa nova lente de realidade: buscar na simplicidade do cotidiano a beleza escondida em todos os lugares. A necessidade de equipamentos mais sofisticados foi substituída pela curiosidade do olhar, a busca da beleza da simplicidade, a beleza daquilo que é presente no dia a dia. Hoje concilio o trabalho como dentista, o papel de marido e pai de 3 filhos e a arte expressada por meio da fotografia e música.

M.O.S.: O que mais te admira na fotografia?

V.M.G.: A fotografia tem o poder de transmitir a expressão de um momento, uma ação, sentimentos, alegria, dor, tudo em uma imagem, um lapso de tempo captado pela lente. A fotografia tem na sua forma “estática” um poder incrível de funcionar como uma janela da realidade, nos transportando imediatamente para as mais diversas recordações, lugares e vivências.

M.O.S.: Julga fácil ou dificil traduzir simplicidade nas imagens?

V.M.G.: Acredito que a simplicidade seja difícil de ser transmitida. Vivemos em um mundo repleto de informações dinâmicas, buscamos o aprimoramento com o máximo de dados possíveis sobre as situações; a simplicidade em si é um caminho a ser conquistado por nós, e com a fotografia não é diferente. Uma foto é uma pequena mostra concreta do olhar do fotógrafo, transmite sua percepção daquele momento da realidade, portanto, transmitirá simplicidade aos olhos que conseguirem enquadrar a simplicidade.

M.O.S.: Fale-nos sobre o momento em que fotografou a obra vencedora.

V.M.G.: Esta imagem foi obtida durante um passeio em uma região do interior do estado de Minas Gerais, no Brasil, na cidade de Diamantina, em um vilarejo conhecido como Biribiri. O interessante desta imagem foi que estávamos, eu e minha família, num passeio em uma região de cachoeiras, com belezas naturais magníficas, sendo que os olhos buscava a grandiosidade quase que instintivamente: águas fantásticas, um relevo único, uma mescla de pedras ancestrais e vegetação imponente. Eis que numa pequena trilha esta pequenina flor mostrou-se singela, porém poderosa, em meio à vegetação. Captou meu olhar imediatamente. Uma beleza pequena, simples, quase solitária, mas que ao aproximar-nos, mostrou-se magnífica.

M.O.S.: Para quem não é fotógrafo, como se identifica simplicidade nas imagens?

V.M.G.: A simplicidade salta aos olhos daquele que vê simplicidade. Mesmo que não seja um fotógrafo, se uma pessoa treina seu olhar para enxergar o simples, e mais, percebe a importância do simples na vida, no dia a dia, enxergará a simplicidade nas imagens.

M.O.S.: Qual o seu conselho para alguém que está procurando simplicidade nas fotografias que faz?

V.M.G.: Aprendi com amigos fotógrafos que um bom fotógrafo busca um enquadramento em tudo que vê. Ele chega em um lugar qualquer e seu olhar visualiza as cenas como que através do visor da câmera. É um hábito que se adquire e chega ser engraçado em alguns momentos... Procuro enxergar a vida como em cenas, assim como vejo cenas e imagino a vida. O que buscamos se reflete em nosso trabalho. Se conseguirmos adotar a simplicidade, buscá-la e enxergá-la no dia-a-dia, conseguiremos reproduzi-la em nossas fotos.

Simplicidade é ...

perceber o que realmente importa

Fotografar faz-me sentir...

pleno na expressão de meus sentimentos

Victor de Morais Gomes, 33 anos,

natural de Belo Horizonte, MG,

Brasil. Dentista, músico, fotógrafo.

Casado e pai de 3 filhos.

Apaixonado pelas terras de Minas,

seu estado natal,

tem forte admiração pela música,

fotografia, literatura e culinária. Recentemente conheceu mais a fundo o minimalismo e tem buscado aplicar em sua vida uma simplicidade que permita viver de forma mais plena e genuína.