Cinema, Destination Image and Place Branding Cinema, Destination Image & Place Branding - Page 82

CINEMA, DESTINATION IMAGE & PLACE BRANDING Nesse sentido, ao mesmo tempo que devem ser melhores lugares para se viver, as cidades, as regiões e os países também evoluem no sentido de uma conceção como “produtos” concorrentes, que, em alguns casos, se estão a tornar marcas e bens de consumo de acordo com as suas respetivas identidades. Para a compreensão de tal fenómeno, foi abordada a definição dos conceitos de marketing e branding, tendo ficado claro a ligação do primeiro a lógicas económicas e de gestão, e o segundo a vertentes mais sociológicas de identidade, e psicológicas de personalidade do “produto” em que se transforma a cidade. Ficou também demonstrada a importância dos fluxos turísticos na alavanca - gem da necessidade de uma estratégia internacional de branding da cidade do Porto, uma estratégia pull, que procure aliciar os “consumidores à compra”, criando uma necessidade da procura do lugar e dos seus bens e serviços. À semelhança das práticas de outras cidades, a marca do Porto aposta numa comunicação simples e depurada. Porém, contrariamente a outras marcas que trazem com elas um slogan integrado, a marca Porto (ponto) exige uma leitura interpretativa e metafórica do valor do ponto final, em que o “Porto é o Porto e ponto”. Se por um lado é uma mensagem efetivamente sintética, por outro não deixa de ser um pouco arrogante e tautológica por ser a resposta à própria per- gunta “O que é o Porto?“ É o Porto. (ponto). Dir-se-ia até que demonstra alguns laivos de orgulho bairrista em que “o Porto é uma nação”. A marca comunica essencialmente através de uma linguagem icónica, não verbal, no pressuposto de que uma imagem vale mil palavras. No entanto, a profusão de imagens no painel de fundo do slogan cria alguma dificuldade de leitura à primeira vista. Fica a dúvida se quem não conhecer a cidade conseguirá associar os ícones gráficos aos ex-libris patrimoniais (tangíveis e intangíveis) selecionados. Poderá isso também fazer parte da estratégia de marketing em que serão os próprios “consumidores”, residentes ou visitantes, a procurar no lugar o referente de cada um dos grafos desenhados. O mosaico da marca PORTO. apresenta-se como se fosse um quizz cultural em que os visitantes ou turistas, finda a visita, deverão ser capazes de identificar e associar o ícone à realidade representada. Tornou-se evidente que é ainda muito recente a operacionalização da nova marca da cidade, que precisa de tempo para que os impactos da estratégia de branding sejam avaliados e, por ventura, corrigidos. Uma marca para ser bem sucedida deve perdurar no tempo e na memória. Será desta que a cidade do Porto encontra o seu posicionamento no mundo global? 82 return to the content page